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Contemporaneidade Do Passado

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Por Pr.Zwinglio Rodrigues

Historicamente, dentro da Igreja Cristã, tem havido uma repetição de fatos questionáveis que, além de muito macularem a sua vida, parece-me que se tornaram, lastimavelmente, padrões milenares. Estou me referindo ao Personalismo Humano, à prática de uma Hermenêutica Equivocada e ao Sincretismo Religioso. Refletir um pouco sobre a presença destas doenças crônicas na vida da Igreja atual faz-se importante para que os nossos olhos não sejam obscurecidos e venhamos assim conviver passivamente com elas.

1- Personalismo Humano

Em sua terceira epístola, o apóstolo João fala de um certo Diótrefes “que gosta de exercer a primazia” (v 9). Nada mais de substancial se sabe sobre este homem além do que nos informa o escritor canônico. Contudo, a partir da epístola em questão, podemos inferir com alguma certeza que ele era um líder local e que tinha um caráter personalista e autocrático. Este é o tipo de líder que arvora-se alucinadamente acima da autoridade do Espírito Santo e que enruga a beleza da Noiva de Cristo. Ele é narcisista, hedonista, humanista… É o líder que atua dentro da Igreja à parte do Senhor. É o mal afamado “pequeno César”.

A questão é: Será que alguém objetaria à afirmativa de que a Igreja contemporânea está saturada de “Diótrefes”? Ao meu ver, é um fato que por todos os lados, sem muito esforço, nós podemos vê-los atuando com as suas garras de fora. Eles mandam e desmandam, causam cismas, amam a primeira pessoa do singular, são satanicamente ambiciosos, opõem-se à dialógica… Na prática, é assim que eles agem! Este tipo de homens-líderes enquadra-se no que disse Paulo a Tito: “No tocante a Deus professam a conhecê-lo, entretanto o negam por suas obras, por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra” (1:16). Fujamos destes desprezíveis personalistas!

2- Hermenêutica Equivocada

Ao escrever a sua primeira epístola, João combate a teologia gnóstica que assolava a Igreja da época. Uma posição hermenêutica da gnose nefasta daqueles dias pregava a não observância do sentido literal das Escrituras na hora de interpretá-la. Diziam os gnósticos que a subjetividade é que devia ser exaltada na hora da interpretação do Texto Sagrado. Este era um grande problema porque desprezava-se a intenção autoral e depositava nas mãos do leitor a condição de dar o sentido do que se estava lendo.

No academicismo teológico atual, esta perspectiva está presente e, em muitos casos, tem recebido grande destaque. As Hermenêuticas Pós-Modernas, como a de Hans-Georg Gadamer que propõe exatamente uma interpretação subjetiva, existencialista das Escrituras, tem tido uma influência significativa no Brasil e, naturalmente, nos arraiais evangélicos.

Dar ao leitor esta independência na interpretação bíblica é franquear o caminho para as interpretações heresiarcas. A única maneira de se fugir das distorções interpretativas é o leitor saber que a Bíblia é a sua própria intérprete e que ele deve praticar o método histórico-gramatical de interpretação (A Reader Response, por exemplo, despreza todo tipo de metodologia na interpretação bíblica)… Infelizmente, também a Igreja deste tempo está cheia de “ignorantes e instáveis” que “deturpam as Escrituras, para a própria destruição” (2Pe 3:16).

3- Sincretismo Religioso

Paulo, em sua epístola aos Colossenses combate o sincretismo religioso presente naquela Igreja. Havia uma tentativa por parte de alguns de se misturar o Cristianismo com o misticismo oriental, com a filosofia grega e com as práticas legalistas dos judeus. Para o apóstolo, isto era inadmissível! Esta era uma mistura espúria! O Cristianismo não precisava desta mistura! Ele era suficiente… Espúrio também é o sincretismo dos nossos dias dentro da Igreja Evangélica. Hoje há uma clara e desavergonhada prática sincretista no meio evangélico. Por exemplo: é público o quanto algumas práticas, algumas expressões, alguns símbolos de cultos afros (nada contra a confissão religiosa de outrem) tem sido usados com a intenção de “atrair as almas”. Esta é uma prática desnecessária! O Cristianismo tem as suas próprias orientações litúrgicas e seus próprios símbolos. Basta ler o Novo Testamento.

Tenho visto e ouvido falar sobre a unção ou energização “da água preparada”, “do banho do descarrego”, “da rosa”, “do sal grosso”, “da pulseira do escudo da fé (uma substituição à fitinha do senhor do bonfim)”… Elementos usados, tradicionalmente, pelos cultos afros. Será que alguns líderes evangélicos não sabem que os cultos afros têm a sua própria beleza e o Cristianismo a sua? Será que não sabem que há uma distância doutrinal e litúrgica factual entre eles? Será que não sabem que o prudente é que cada um fique em seu lugar e sirva aos seus respectivos propósitos? Tenho ouvido falar também da venda da “água do rio Jordão” como elemento diferenciado, mais ungido, mais santo, ou sei lá mais o que para “abençoar” no lugar do Abençoador. Isto é puro misticismo e tem sua origem nos sincretismos praticados pelos vacilantes…

Às vezes me parece que estamos vivendo na Idade Média quando se venerava e quando se atribuía poderes às “Relíquias”.É exatamente por conta do sincretismo entre o paganismo greco-romano e o Cristianismo que a Igreja Romana chegou onde chegou. O sincretismo já se nos mostrou perigoso. Será que quem faz isso atualmente entre nós não conhece a História da Igreja Cristã? Duvido que não saibam! Então, porque fazem isso?

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