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Sobre A Vida

O Dia da Morte, pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

Eu vou morrer!

 

Diante desta irremediável possibilidade, o que eu mais preciso fazer é viver.

Nem sempre o estar vivo representa o não estar morto. Os mortos-vivos não são seres que figuram apenas no mundo da ficção. Eles também povoam o universo das realidades.

 

Para que eu não seja como um deles, eu preciso ter sempre na retina, e na dimensão da reflexão, a verdade de que vou morrer. É claro que eu penso sobre a morte como quem quer viver e não como quem quer ser mórbido.

 

Ao lembrar-me da morte que me quer e que me alcançará, sou confrontado pela vida que me diz: viva!

 

Ato contínuo, pergunto-me: será que viver é apenas estar cônscio de que vou morrer? Concluo que não. Há algo que deve ser somado à minha lembrança e à minha ação reflexiva sobre o fato de que eu vou morrer.

 

Para que a dinâmica da minha vida não tenha características da morte e, portanto, não seja assim eu confundido, ou conhecido, como um sujeito que tem nome de quem vive, mas que está morto, devo sublimar cada milésimo de segundo da minha vida como quem está vivo e que quer viver até o encontro final com a morte.

 

Mas, neste momento em que vivo plenamente [será?], compreendo que viver cada fração de segundo de minha vida, de maneira sublimada, só será possível se minha vida for uma fonte de vida e não de morte para aqueles que, vivos, ou mortos-vivos, venham precisar de vida.

 

Eu vou morrer!

Mas, não em vida; não sem ofertar vida; não sem viver a vida.

 Zwinglio Rodrigues

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  1. Anonymous
    28/02/2008 às 11:24 am | #1

    Muito interessante esta reflexão,amei, tão inteligente e misteriosa, e eficaz em seus sentidos.
    Sou sua fá incondicional… E mera admiradora de suas palavras.

  2. Vitor Pereira
    28/02/2008 às 1:59 pm | #2

    Bela reflexão!

  3. Esdras Costa Bentho
    29/02/2008 às 11:59 am | #3

    Kharis kai eirene

    Prezado Pr. Zwinglio, meus parabéns por essa reflexão sobre a vida e a verossímel expectativa da morte.

    Gostei, não apenas da escolha da imagem, que, aliás, reflete muito bem o conteúdo da mensagem, mas principalmente do verso: “Eu vou morrer. Mas, não em vida; não sem ofertar vida; não sem viver a vida.”

    O amigo captou maestricamente que a vida é uma fonte que não se esgota, portanto, doá-la, como uma fonte doa gratuitamente suas águas cristalinas, semelha-se “a vida que salta para a vida eterna”.

    Sócrates afirmara, se não estou enganado no Fédon, que o filósofo deveria se ocupar do tema “thanatológico”. John Done, “Por quem os sinos dobram”, também orientou-nos a respeito do outro, que, na verdade é o presságio da nossa. Jesus, porém, prometeu-nos vida eterna em seu nome.

    Deus o abençoe. Continue com sua verve literária, abençoando nossas vidas.

    Um abraço
    Esdras Bentho

  4. Zwinglio, Pr.
    01/03/2008 às 10:16 am | #4

    Anônima, tudo bem?

    Obrigado por estar comigo aqui neste blog.

    Em sua conclusão sobre esta reflexão, vc observou a presença do “misterioso”. De fato, há um “q” de mistério nestas palavras. Por exemplo: eu dei o título de “Reflexão Sobre A Vida” à estas linhas. Mas, será q eu queria mesmo era falar da vida ou da morte? Será q eu ñ estava mais preocupado com a morte do que com a vida? Ou será q desejei falar de ambas? Não seria possível q o meu foco único descansasse na intenção de demonstrar q uma inexiste sem a outra?

    O q achas?

    Gostaria de conhecer-te pelo nome.

    Abraços!!!
    ——————————

    Meu amigo Vítor.

    Ter esta avaliação da sua parte sobre a minha reflexão me dá “orgulho”, pois conheço a sua sensível capacidade de pensar e escrever.

    Abraços!!!
    ———————————-

    Pr. Esdras, como vão as coisas?

    Fiquei muito lisonjeado com as suas palavras. Obrigado.
    Sua análise tem um enorme peso pra mim.

    Abraços!!!

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