Sem Despedidas
Eu bem sei que a vida pode não me permitir despedir de uma pessoa que amo.
Desaparecimento súbito ocorre.
Este seqüestro surpreendente que priva-me, transforma palavras não ditas que
deveriam ter sido ditas em absinto apegado à língua.
Como poderei rosear a face, extrair um largo ou tímido sorriso da pessoa amada com as palavras certas se ela já não mais é porque deixou de existir? Impossível!
A dor que traspassa-me é profunda e dilacerante.
Como as ondas do mar dão contra os rochedos e neles imprimem cavidades, assim sou escavado por densas e altas ondas erigidas pelas oportunidades desprezadas.
A única diferença entre o que acontece comigo e com as rochas, é que elas, no final das contas, não se afogam em lágrimas, eu sim.
CategoriasReflexão
Despedidas, Dor, Lágrimas, Perdas

Kharis kai eirene
Mais uma vez somos abrilhantados por seus lúcidos e magistrais versos. O acre-doce de suas imortais palavras, eleva o espírito e cala o grito incontido da dor. Mas o que é a poesia se não a vida suplantando a morte, a dor curvando-se à esperança?
Um abraço
Esdras Bentho
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Deus te abençõe