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A Interdependência No Exercício Da Liderança

Por Pr. Zwinglio Rodrgiues

O senso de interdependência é um discernimento fundamental para o sucesso de um líder. Ninguém consegue empreender um plano e nem executar uma visão de forma solitária, mas sim de maneira solidária. Mesmo para a realização de pequenos projetos é necessário que um líder tenha essa compreensão.

Peter F. Drucker, um conceituado teórico da administração, em sua obra O Gerente Eficaz, tratando da focalização na contribuição em um trabalho e nas relações interpessoais, cita quatro requisitos elementares para a produção de relações humanas eficazes. São eles:

A comunicabilidade;
O trabalho em equipe;
O auto-desenvolvimento;
O desenvolvimento dos outros.

Veja que ele relaciona o trabalho em equipe como um fator que favorece a boa convivência em um grupo de trabalho. A boa convivência com os liderados – e entre eles, obviamente – é o que um líder bem precisa para desenvolver o trabalho comum a todos. A interdependência é uma chave para as relações saudáveis e produtivas. Negligência-la, é um pecado capital!

A Bíblia ressalta de forma interessante e surpreendente a importância deste princípio.

A Interdependência na Trindade

“Então disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança.” Gn 1:26

Os intérpretes dizem que neste texto há a primeira evidência da existência da Trindade por causa da presença oculta da primeira pessoa do plural, nós.

Crê-se que em Deus há uma pluralidade de pessoa: O Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo. Na criação do homem, estas três pessoas da divindade trabalharam juntas. Não houve uma ação independente, mas uma ação interdependente. Quando diz, “façamos”, este princípio está em atividade.

Esta não foi à única vez que a Trindade implementou uma ação interdependente. Por toda a Bíblia e por várias vezes vemos as três pessoas da divindade agindo em concordância e simetria (Ma 3:13-17; Mc 1:9-11; Lc 3:21-22).

O plano de salvação mostra com clareza esta ação funcional por parte destas Pessoas com vistas à realização deste programa. A Bíblia diz que o Pai deu o Filho, que por sua vez concordou em ser entregue para salvar o homem e, o Espírito Santo, depois da morte, ressurreição e ascensão de Jesus, foi enviado por Este, com o objetivo missional ser um selo na vida do crente (Jo 3:16-17, 14:16,25). Que extraordinário! Que exemplo lindo de dependência! Deus agiu, e continua agindo assim para servir de referência a todos que queiram se inspirar nEle no exercício da bela arte de liderar.
Liderar a partir da interdependência é uma ação inteligente. Um líder deve ter em mente e deve dizer aos seus liderados que: ou funcionamos todos juntos, ou nada funciona.

A Igreja Como Um Corpo

Paulo diz-nos que a Igreja é um Corpo. Ela é o Corpo de Cristo! Uma das idéias que nos é transmitida com este ensino é exatamente a da interdependência.

O corpo humano necessita de todos os seus membros para funcionar e para sentir-se bem. No corpo humano não há independência e sim um inter-relação funcional. Todos os órgãos e membros necessitam uns dos outros. Paulo, sabedor disso, disse à igreja de Corínto: “o olho não pode dizer a mão: não preciso de você!” E disse também: “nem a cabeça pode dizer a mão: não preciso de você”.

As mãos, os olhos, demais órgãos e membros, segundo o apóstolo, simbolicamente falando, são pessoas que compõem o Corpo de Cristo. Na Igreja não há espaço para o a independência vaidosa e soberba como não há no corpo humano. A mutualidade é requerida também pelo Corpo Místico do Senhor.

Os resultados satisfatórios para uma liderança só surgirão se as ações coletivas predominarem. Todo líder que quiser atuar como um franco-atirador estará desamparado e perdido.

O poema a seguir, foi feito pelo poeta inglês Alexander Pope (1688-1744), que foi, devido a sua crença católica, impedido de estudar nas universidades inglesas e nos outros centros oficiais de ensino. Ele não se intimidara por causa disso e educou-se pelos seus próprios méritos alcançando assim uma mente brilhante.

Deus, na natureza do seu ser, descobre
Sua própria felicidade, e estabeleceu seus limites;
Mas, visto que formou um todo para abençoar ao todo,
Da necessidade mútua é que depende a felicidade mútua.
Assim Deus e a natureza ligaram o arcabouço geral,
E ordenaram que o amor próprio e o social sejam o mesmo.

Por causa do arrogante individualismo das pessoas de sua época e por causa da presença de uma mentalidade anti-católica predominante em seu país, Pope, tratou neste poema, exatamente sobre o que estou falando. Para ele, as ações preconceituosas dos protestantes daquele tempo, não eram, a priori, religiosa, e sim, ações segregacionistas de seres humanos que não compreendiam que apesar das diferenças, o homem sempre vai precisar do homem. Na Igreja, o homem precisa do homem.

A vivência deste princípio estabelece uma matemática somatória (e porque não também multiplicadora?). Isaías ensina-nos o seguinte: “Um ao outro ajudou, e ao seu companheiro disse: Esforça-te” (41:6). O sábio Salomão também demonstra este tipo de cálculo quando diz: “E se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4:12).

Quando partimos para a interdependência, entendendo a sua importância e a sua indispensabilidade, experimentamos a duplicação de esforços, de auxílios, de resistência… e experimentamos também, a possibilidade da indestrutibilidade.

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